Sons da Negritude: um bate-papo sobre carreira, arte e resistência negra
O evento reuniu mulheres negras em uma conversa sobre representatividade e os desafios de ocupar espaços historicamente excludentes
No dia 16 de junho, o AfriCásper promoveu mais uma palestra, "Sons da Negritude", um dos encontros mais esperados do calendário do coletivo. O evento reuniu três mulheres negras que constroem trajetórias potentes em diferentes frentes — música, jornalismo e publicidade — para uma conversa sincera sobre carreira, representatividade e os desafios de ocupar espaços historicamente excludentes.
As convidadas
A abertura ficou por conta de Amabbi, cantora e compositora paulistana de 22 anos que vem conquistando cada vez mais espaço na cena da música urbana. Com presença de palco marcante, ela dividiu com o público um pouco do processo criativo por trás de suas composições e os desafios de construir carreira artística sendo uma mulher negra e jovem na indústria musical.
Em seguida, o público conheceu de perto a trajetória de Verônica Serpa, jornalista formada pela Unesp e natural do litoral norte de São Paulo. Hoje na redação do Alma Preta, Verônica falou sobre como enxerga a comunicação como ferramenta de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas, além de compartilhar sua paixão por fotografia, gastronomia e Hip-Hop — universos que atravessam também o seu olhar jornalístico.
Fechando a roda de conversa, Carol Buzatto, relações públicas e diretora da agência Correria Criativa, formada pela Cásper Líbero, contou um pouco de sua vivência à frente de projetos de peso na cena musical, como o lançamento de artistas como Duquesa e YunkVino, além de contar com nomes como Kayblack e Bia Soull em seu casting. Carol trouxe um relato direto sobre os bastidores da publicidade e sobre como tem construído sua carreira em meio às desigualdades raciais que ainda marcam o mercado.
Um papo sobre carreira e raça
Ao longo do bate-papo, mediado pelos estudantes de Jornalismo e membros do coletivo, Akanni Lemos e Helena Barboza, um fio condutor uniu as três trajetórias tão distintas: o que significa ser mulher negra em espaços de poder e decisão — seja nos palcos, nas redações ou nas agências de publicidade. As convidadas dividiram experiências pessoais, os obstáculos enfrentados ao longo do caminho e as estratégias que encontraram para se afirmar profissionalmente sem abrir mão de sua identidade racial.

A conversa passou ainda por temas como a falta de representatividade em cargos de liderança, a importância de redes de apoio entre mulheres negras e os caminhos possíveis para transformar as diversidades raciais do Brasil em força e não em barreira.
Um encontro de trocas
O clima foi leve e acolhedor do início ao fim, com uma plateia bastante engajada. Na rodada de perguntas, o público não deixou a peteca cair: foram muitos questionamentos sobre carreira, como lidar com o racismo estrutural no dia a dia profissional e sobre os próximos passos de cada uma das convidadas.
O Coletivo AfriCásper reafirmou, mais uma vez, seu papel de criar pontes entre estudantes e profissionais negras que já trilham e abrem caminhos em diferentes áreas. Um encontro de escuta, identificação e, acima de tudo, inspiração.