Red Bull Symphonic: a junção das batidas do funk com a música sinfônica
O funk ocupando um papel central na cultura brasileira, conectando música, território e identidade
Muitos dizem que o funk não é cultura, mas será que você conhecerá a história por trás dele?
O funk é uma manifestação cultural que nasceu nas periferias do Rio de Janeiro. Bebeu da fonte da música negra internacional, com forte influência de gêneros como soul, jazz, R&B e dos bailes negros.
Antes mesmo desses acontecimentos, já temos a presença dos batuques e tambores. A musicalidade preta transforma o ritmo em resistência, junto com toda a ancestralidade que a comunidade carrega.
Mesmo sendo um dos gêneros mais populares do Brasil, o funk foi associado à marginalização, violência e criminalidade. Enquanto outros estilos que fazem o mesmo são vistos como 'arte' ou 'liberdade de expressão'.
A primeira edição do Red Bull Symphonic no Brasil vai juntar as batidas do funk com a música sinfônica. Mas isso não é algo incomum: Os elementos orquestrais, as construções cinematográficas e os arranjos grandiosos já aparecem há anos dentro da estética do funk, principalmente em produções que não têm emoção, narrativa e intensidade sonora.
Agora essa ocupação passa a ocupar espaços que historicamente são vistos como elitizados. Red Bull Symphonic no Brasil vai concretizar tudo isso.
O projeto vai unir o funk paulista de MC Hariel com a formação orquestral do maestro Xuxa Levy e direção musical de Nave Beatz. A 'orquestra do fluxo', como foi apelidada carinhosamente pelos idealizadores, acontecerá no dia 08 de agosto no Auditório Simón Bolívar- Memorial da América Latina, em São Paulo e os ingressos já estão disponíveis.
A ideia não é transformar o funk em algo chique, até porque ele já possui complexidade musical, potência artística, impactos culturais e sociais. A musicalidade dos violinos, contrabaixos e metais com as batidas do funk formará um grande espetáculo.
As escolhas não foram graças, nem estéticas e têm como objetivo desmistificar alguns estigmas e mostrar o gênero como uma potência cultural. Mais do que um show, a experiência imersiva única também propõe uma reflexão sobre quais manifestações culturais são legitimadas como arte no Brasil e quais ainda precisam lutar por reconhecimento.
Ao trazer o funk para dentro de uma formação sinfônica, o espetáculo também evidencia como a música periférica brasileira carrega história, inovação, ancestralidade e potência cultural.