O Avesso da Pele

O Avesso da Pele: Manifestações do Racismo na Sociedade

Autoria: Rafaela de Oliveira

O Avesso da Pele: Manifestações do Racismo na Sociedade

Você já parou pra pensar sobre as formas que o racismo pode se manifestar na sociedade? 

Seja de maneira escancarada ou mais subjetiva? O livro O Avesso da Pele, do autor Jeferson Tenório, conta sobre algo que vivemos todos os dias: o peso de ser uma pessoa negra no Brasil. 

A obra ganhou o Prêmio Jabuti, em 2021, na categoria de romance literário. Mas esse romance, de ficção… não tem nada. A narrativa parte de um filho que tenta reconstruir a memória do pai, assassinado pela polícia no sul do país, e que teve sua vida atravessada por muitas outras violências sociais: dentro da escola, da família, do trabalho, dos afetos que viveu.

Ao longo de um pouco mais de 180 páginas, Tenório nos faz compreender que o racismo vai muito além das constantes violências policiais que vemos por aí. A obra nos mostra como o corpo negro carrega marcas: algumas visíveis, outras guardadas no “avesso”. 

E apesar de grande parte da história se passar na década de 80, ainda parece que nada - ou muito pouco - mudou no sentido de direitos e liberdade das vidas negras no Brasil. Continuamos pela busca da nossa identidade, pela nossa existência sem pedir licença. 

O livro inclusive chegou a ser censurado, em 2024, por escolas de três estados: Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná, com a justificativa de que a obra apresenta “expressões impróprias” para menores de 18 anos. Mas especialistas (e nós) interpretamos isso como um argumento racista fraco, que repete práticas de censura típicas dos anos da Ditadura Militar. Se a obra causa incômodos, é porque verdades são ditas, sendo capaz de gerar consciência sobre muita coisa. Ler é um ato político, assim como se informar. E ler “O Avesso da Pele” é entender o que nos atravessa, sendo ou não uma pessoa negra. 

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