A Contagem dos Sonhos: a mulher negra deve sonhar
Autoria: Beatriz Felizardo
Você já parou para pensar em quantos sonhos uma mulher negra precisa contar antes que o mundo a escute?
Depois de 10 anos, Chimamanda Adichie volta com A Contagem dos Sonhos e entrega uma história sobre quatro mulheres com realidades diferentes e um mesmo dilema: o direito de existir e de sonhar.
A protagonista é Chiamaka, uma escritora nigeriana que vive nos Estados Unidos. No meio do isolamento da pandemia de Covid-19, ela decide revisitar seus amores e suas decisões do passado. Ao lado dela estão Zikora, a advogada bem-sucedida que decide criar um filho sozinha após uma desilusão amorosa; Omelogor, a prima ousada de Chiamaka que se questiona o quanto se conhece de verdade e é cobrada pela família por não ter filhos e nem ser casada e Kadiatou, uma camareira guineense que fugiu da pobreza para criar com orgulho a filha com melhores condições.
O livro mostra o contraste brutal entre as três amigas que vivem dilemas de amor, maternidade e status, enquanto Kadiatou enfrenta o racismo e a desigualdade que marca a realidade das mulheres negras. A história de Kadiatou é inspirada na história de Nafissatou Diallo, camareira guineense que em 2011 denunciou um homem poderoso por agressões sexuais e foi destruída pela mídia.
Esse caso real retratado para lembrar que a dor da mulher negra sempre é desacreditada e descredibilizada, No fim, o livro fala sobre desejos interligados entre as quatro mulheres e principalmente sobre a relação entre mães e filhas. A Contagem dos Sonhos mostra que cada mulher carrega o peso da cultura, da religião e da cor — mas também o poder de quebrar o ciclo.